3 | Culpa
Uma viagem diferente
Bom-Dia meus amores, depois de um tempinho sem escrever me peguei pensando sobre essas duas palavras que juntas, chegam a dar aquele friozinho no estômago.
Outro dia eu estava ouvindo um podcast que conheci recentemente, chamado “Bom-Dia Obvious”, para quem não conhece, já deixo aqui minha indicação, parei no episódio #222 “o que seu incomodo esta tentando te dizer?”. Eu digo “parei” porque faz dias que penso nele. Basicamente elas conversam sobre encarar nossos sentimentos de frente e entender o que eles significam de fato, inveja disfarçada de crítica, culpa disfarçada de ansiedade, raiva chamada de surto… mas se você parar e olhar para esses sentimentos sem a lente que você está acostumado a colocar por cima, o que eles significam na verdadeira essência? Porque nosso corpo e mente estão fazendo todo esse movimento de cansaço, choro, pontadas no estômago, gritos e frio na barriga?
Não tiramos a lente pelo medo do que significa sentir verdadeiramente.
“Eu não posso sentir raiva porque a raiva está associada ao irracional, eu preciso me acalmar, esquecer isso e seguir em frente”.
Provavelmente você aprendeu isso desde sua infância até sua vida adulta, não temos permissão para sentir as coisas porque o que nossa mente, na verdade, está repetindo é: “você é uma criança muito má se agir assim”, parece ridículo pensar que estamos nos tratando como crianças malvadas quando sentimos essas coisas, mas estamos, porque na essência, todos os sentimentos são criações da nossa infância, portanto, são infantis e às vezes ridículos mesmo.
Me peguei criticando uma artista três vezes, na quarta percebi ter inveja dela, porque ela já chegou onde eu me sinto tão distante, ela investiu a vida dela na arte, o que, na verdade, eu queria fazer e não tive coragem por muito tempo. Dois dias depois, comprei o curso de artes dela. Encarei meu sentimento de frente e perguntei para ele o que estava tentando me dizer, e ele disse. Esse ato mexeu tanto comigo que resolvi fazer um trabalho de detetive em tudo que eu estava sentindo nos últimos dias, raiva, ansiedade, crítica e cansaço, todos eles me levaram para o verdadeiro núcleo da tempestade: culpa.
Na mesma semana, eu sentei e escrevi uma lista de tudo que faz eu sentir culpa. Quando terminei a lista, eu senti a mesma sensação que sinto após vomitar. A lista ficou mais ou menos assim:
1 Sinto culpa por não conseguir cuidar da minha pele
2 Sinto culpa quando não consigo passear com a cachorra
3 Sinto culpa quando não lavo o cabelo
4 Sinto culpa quando acordo vinte minutos atrasada
5 Sinto culpa quando não passo todas as horas de todos os dias buscando o que digo para todo mundo que quero
6 Sinto culpa quando não escrevo
7 Sinto culpa quando escrevo e deveria estar trabalhando, ganhando dinheiro
8 Sinto culpa quando não quero fazer sexo e meu parceiro quer
9 Sinto culpa quando meus cabelos caem no chão e eu não consigo limpar
10 Sinto culpa por comer fora de casa e não ter feito a comida
…
Isso foi só o início da lista, formada inteiramente por um sentimento, olhei para ele e o reconheci, estava aqui a minha vida toda, quase diariamente ocupando meu tempo tão precioso. Entendi também que eu não estava só, culpa é um sentimento majoritariamente feminino, mas está em todas as pessoas quase todos os dias, em atos tolos que alimentam esse monstro enquanto ele se transforma no motivo do qual não dormimos direito, não comemos bem, não seguimos nossos sonhos nem conseguimos completar aquele trabalho que queríamos tanto fazer, o mesmo sentimento que quer esconder todos os outros motivos, senti-los de fato nos fariam sentir culpados.
A mente não se contenta com qualquer coisa, ela questiona, ela quer entender mais, cabe a nós dar as ferramentas que ela precisa.
Ela faz o momento pensativo dela em cima da pedra.


