1 | E se...
E se não fosse assim?
Primeiramente muito bem-vindes ao meu universo psíquico onde eu mergulho cada vez mais profundo todos os dias, é um prazer finalmente estar compartilhando tudo que eu ando remexendo aqui. Isso é o início de uma jornada aonde eu viajo ao passado, sonho com o futuro e poetizo o presente. Aqui não terão regras, nunca gostei delas mesmo e como uma boa obediente a minha criança interna que sou, deixo ela no piloto enquanto fico somente olhando o caminho e anotando.
Falando nisso…
“E se” são duas palavras com uma potência imensamente maior que o tempo que levamos para pronuncia-las, nelas cabem o passado, o presente o futuro e na minha visão, um quarto tempo que não existe fisicamente, somente no mundo que criamos para ele, como somos matéria podemos pensar que é tão real quanto a tela do computador ou do celular que você está vendo agora, eu chamo de “espaço/tempo das possibilidades”.
Agora, por exemplo enquanto escrevo essas palavras estou em Recife, na casa de uma pessoa que conheci há cinco dias, em um aplicativo que solicitamos um lugar para dormir por alguns dias (suspeito né? Mas eu juro que conheci pessoas incríveis nos últimos meses por esse meio, exceto quando eu tive que fugir de um possível lunático na Bolívia, mas essa é uma história para outro momento, chegarei lá), estou montando um projeto artístico porque por coincidência ele está montando um hostel na casa dele e eu decidi nos últimos meses que vou seguir na carreira artística que tanto neguei minha vida toda. Que doideira né? Se eu imaginei isso algum dia? Não, mas alguns meses atrás eu pensei “E se eu parar de dar voltas nesse precipício que insiste em me chamar, dar meia volta e sair correndo por aí fazendo o que eu sentir vontade?” Pois é meus amores, esse foi meu “E se” do presente naquele momento. Tomar a decisão de seguir carreira artística sem nem saber direito como começar, foi meu “E se” do futuro.
Outro dia eu estava terminando de ler um livro que desde o primeiro momento se mostrou propício a revirar o meu passado, tive diversos momentos dos quais segurei o nó na garganta, até que nas últimas páginas ele conta que o pai dele, como era um ótimo cozinheiro (como meu pai era), fazia marmitas para ele e escrevia o que tinha dentro de cada uma.
“Nos últimos anos, ele tem se dedicado a fazer marmitas para os dois filhos, que trazemos conosco quando visitamos Jaú. Em cima de cada marmita ele cola uma etiqueta em que descreve o prato: carni muida, fejuada, aros caretero, linguisa. As palavras vêm assim, escritas da forma como ele as ouve. Essa é a arte de sua ortogra fia, tão pessoal e verdadeira quanto a comida que ele prepara.”
- “O que é meu” de José Henrique Botoluci
Se a ferida está inflamada, tocar nela dói. Porque quando olhamos para uma então temos uma estranha vontade de cutucar?
“E se tivesse sido diferente? E se eu tivesse ignorado todos os anos dos quais eu sofri imensa angústia por não conseguir ajuda-lo, eu teria ganhado marmitas com a descrição de cada uma? Para onde eu as levaria?” Eu pensei enquanto um filme do meu passado passava na minha cabeça.
Já sentiu uma farpa no coração?
Esse foi meu “E se” do passado, ele não existe, se existisse eu não estaria onde estou agora e nem seria quem eu sou hoje. Usamos ele para lamentarmos de algo que não se pode mudar, isso é se torturar e normalmente fazemos isso para mascarar o fato de que estamos com medo de algo.
“Mas o que veio foi um choro de mil lágrimas, mil mágoas guardadas que, de repente, não teriam mais volta.”
- “Véspera” de Carla Madeira
Tá! mas e o mundo das possibilidades? Esse eu confesso ser meu xodó, ele é divertido, podemos pensar em vários cenários que chegam a ser quase impossíveis, quando entro nele eu penso alto, bem alto mesmo, gosto de revirar o mundo de cabeça para baixo e vou surfando na minha imaginação.
“E se o dinheiro deixasse de existir, derrubassem todos os prédios que ficam tapando minha visão do céu, declarassem livres todas as vidas e parassem de separar as pessoas por quem elas são, ainda assim juraríamos anarquia? Buscaríamos justiça para quê? Reclamaríamos das árvores serem altas demais? Juraríamos amor custe o que custar?”
“E se eu pudesse trocar de pele? Que tipo de animal eu escolheria ser? Provavelmente um pássaro”
Sim, penso nesse tipo de coisa todos os dias, sei que não vai acontecer, mas às vezes uma palavra ou outra se prende a mim e começa a criar raízes. Não, não vou virar um pássaro, mas e se eu aprendesse a voar de outro jeito? Uma vez eu pulei de paraquedas, acho que nesse dia eu voei. Não, prédio nenhum vai ser derrubado para abrir espaço para a beleza do céu, e se então eu saísse da cidade e descobrisse o que é olhar pela janela e ver a vida e não construções?
E se… você olhar para dentro de você? O que você vê?
Um sonho começa muito, muito antes do que imaginamos…
E sim, para quem não sabe a Wandinha foi inspirada em mim.




Que texto intenso, gostei tanto da leitura que apreciei cada frase que li, como não fazia há muito tempo. Obrigada por compartilhar seus pensamentos.
eu preciso contar pra Wandinha sobre como vc inspirou a vida dela muito antes dela existir rsrs